Setores vulneráveis com relação a questão ambiental
O texto reforça o tema do último post do Empresa Verde. Afirma que existem dez megaforças relacionadas a questões ambientais com enorme potencial para afetar os resultados de diferentes setores da economia nos próximos 20 anos. Para ter noção do rombo que estes problemas podem trazer às empresas, o cálculo da consultoria Trucost, incluído no texto, revela que os custos associados a problemas ambientais ainda não computados pelas empresas já chegam a US$ 846 bilhões.
O relatório foi apresentado durante o evento “Perspectivas dos negócios sobre crescimento sustentável: preparação para a Rio+20″, finalizado ontem (16) em Nova York e realizado pela KPMG em parceria com organizações internacionais como o Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas.
“Muitos negócios serão obrigados a contabilizar estes custos em seus relatórios financeiros, principalmente se os governos cumprirem suas promessas de eliminar subsídios à água e a certos tipos de combustíveis fósseis e introduzir programas de pagamento pelo carbono”, diz o documento. As perdas podem ser visualizadas de outra forma, ainda segundo a Trucost: se as empresas tivessem de pagar pelo valor real dos problemas ambientais com os quais lidam, perderiam US$ 0,41 por cada US$ 1 ganho.
As dez megaforças são as seguintes: mudanças climáticas, escassez de água, crescimento populacional, desmatamento, volatilidade do suprimento de energia, escassez de recursos, inflação de salários, urbanização, segurança alimentar e declínio dos ecossistemas. Essas forças, esclarece o documento, são intensificadas pelas atividades dos negócios ao mesmo tempo em que interferem diretamente em seu desempenho.
“Seria prudente para as companhias considerar que terão de pagar no futuro uma proporção crescente do que hoje é classificado como “custo fora do balanço”, recomenda o texto preparado com a supervisão de Yvo de Boer, ex-secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. No gráfico abaixo, é fácil observar como certos setores, produção de alimentos em especial, estarão claramente mais vulneráveis a estas variáveis que outros.
A princípio, pode ser difícil acreditar que há tantos custos desconsiderados pelas empresas. Mas faz sentido quando se pensa no prejuízo da destruição de uma fábrica em função de uma enchente, o aumento do custo de produção pela escalada dos preços de commodities agrícolas ou pela tarifação das emissões de carbono.
O relatório lista seis tipos de riscos para companhias de 11 setores-chave:
Físicos – perda de ativos físicos devido a desastres naturais ou prejuízos relacionados à irregularidade no fornecimento de água.
Competitivos – relativos ao aumento de custos ou volatilidade de preços de insumos essenciais aos negócios como energia, combustíveis, água ou matérias-primas agrícolas.
Regulatórios – taxas sobre emissões de carbono e combustíveis fósseis são alguns deles. Outro questão relevante apontada é que, na falta de um marco regulatório global para lidar com mudanças climáticas, as empresas terão de lidar com legislações municipais, regionais e nacionais.
Riscos à reputação – danos ao valor da empresa e suas marcas entre consumidores, investidores, legisladores, empregados e a imprensa. Casos de derramamento de petróleo em oceanos ilustram como um desastre dessa natureza (e a falta de investimentos para evitá-los) pode afetar negativamente um negócio.
Riscos litigiosos – extensão do anterior, decorrentes de processos movidos contra desastres naturais ou a violação de leis.
Sociais – populações que migram de suas terras para fugir de problemas gerados pelo aquecimento global, conflitos civis relacionados ao tema e escassez de recursos naturais como a água podem minar o desenvolvimento de um negócio.
Globo.com
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